Saio apressado e preocupado do banheiro. Corro até a cozinha imaginando o que de ruim pode acontecer. Chego de repente e Julia, assustada, fala:
_ O que houve?
Fecho imediatamente todas as janelas e as cortinas e digo:
_ O cheiro... Pode atrair os malucos!
_ Como você sabe?
_ Eu os vi atacando e fui atacado também. Quanto mais elevado o grau de infecção, menor a coordenação motora deles, logo, eles não conseguem abrir pacotes de comida e coisas do tipo. Então passam a caçar tudo que se mova ou possa servir de alimento. Pelo menos eu acho que é isso.
Julia me olha com um ar muito triste e abatido ainda, provavelmente lembrando do ataque à sua mãe e responde:
_ Mas se eles não têm coordenação motora, nunca vão conseguir entrar aqui. Você lacrou todas as entradas e cantos por onde eles poderiam nos ver.
_ Amor, o problema não são os que não conseguem abrir pacotes de comida. Os que estão doentes há menos tempo conseguem usar objetos, escalar coisas e tudo mais.
_ Escalar coisas? Tipo, paredes? Muros?
_ Não. Quis dizer que conseguem subir escadas ou coisas do tipo. Hoje de manhã tentando vir até aqui fui cercado por eles, tive que subir na torre de água da Sanepar, alguns deles conseguiram subir atrás de mim. Mas com bastante dificuldade, então não precisamos nos preocupar a inteligência deles, mas sim com os instintos. Lá fora não havia muitos, mas podem se reunir. Eles conseguem formar grupos.
_ Como... Você sabe tanto?
Expliquei toda a história passada durante a invasão das kitinetes e a fuga em direção a casa. Julia não fala nada, apenas ouve. Ao término da conversa, ela diz:
_ Então tudo está tão diferente? Toda essa loucura? Eu tinha visto algo na TV, mas não imaginava que era assim.
_ Sim, é assim! E precisamos ser fortes se quisermos continuar vivos. – Respondo.
Ao final da conversa, Julia serviu o jantar. Não era exímia cozinheira, mas sabia se virar muito bem com pouca coisa. Normalmente cozinhava quando estava deprimida. O prato era uma omelete acompanhada de salada de tomates, pão e um suco natural de laranja. Ela sabia que eu adorava omelete e suco de laranja. A salada talvez fosse apenas por necessidade ou costume.
Combinamos que comeríamos os alimentos perecíveis primeiro e por último os congelados. Dessa forma não haveria desperdício de comida. Após o jantar, à luz de velas devido à falta de energia elétrica, lavamos a louça com cuidado para não fazer barulho. Verifiquei todas as fechaduras, portas e janelas. A casa não era grande, e havia somente uma porta por onde se poderia entrar e sair. Todas as janelas tinham grades, exceto a do banheiro, que era apenas uma ventarola. Pensava como iria fazer em caso de invasão. Possuía uma arma com cinco balas carregadas e mais cinco guardadas comigo. Tinha atirado apenas duas vezes na vida, junto do meu pai em um matagal, numa cidade pequena. Lembro bem deles, sinto tantas saudades... Queria ter tido a oportunidade de me despedir. Onde será que estão agora? Não nos dávamos bem quando morávamos juntos, mas depois do que houve a única frase que me vinha à mente era ‘Sempre se despeça dos seus entes queridos com palavras de amor, nunca se sabe quando se os verá novamente’.
Meus olhos lacrimejaram, já haviam se passado quase três anos... E a lembrança ainda era muito dolorosa. Meu peito pesava e mal conseguia respirar. Lembro como se fosse ontem que eles não queriam que eu fosse músico, consideravam como subemprego, diziam que eu tinha potencial demais para isso. Infelizmente no nosso país os músicos são tratados como vagabundos. Costumava ser um bom guitarrista, compunha bem e cantava também. Desde que tinha 16 anos eu já tocava em bares e lanchonetes, ganhava algum dinheiro e achava tudo isto legal. Queria ser um rockstar um dia. Então o dia fatídico chegou...
Depois do acidente, a música passou a ser a única coisa em minha vida. Entrei em depressão, passei a usar drogas... Antes que falecessem, eu já estava acostumado a tocar em bons lugares. Depois disso, nem o pior dos bares me aceitava. Vivia bêbado e drogado. As músicas agressivas das bandas de New Metal que eu costumava ouvir quando estava nervoso passaram a ser meu dia-a-dia e não sentia mais nenhum alívio, a música pesada não era pesada o suficiente...
Mês que vem será meu aniversário, completo 21. Será que, onde quer que estejam eles se lembram de mim? Será que vou conseguir me manter vivo até mês que vem? Queria ter apresentado Julia a eles... Minha mãe gostaria de conhecê-la. Era animada e não parava quieta, meio estourada às vezes, mas era divertida quando estava de bem com a vida. Nos nossos últimos dois anos de convívio não vinha me tratando bem, queria que eu largasse a guitarra, que eu fizesse engenharia. Falei que iria fazer faculdade de música, para ficar ainda melhor no que eu realmente gostava de fazer. Lembro até hoje as palavras: “eu não vou sustentar vagabundo! Não vou te ajudar a destruir a própria vida”. Desde então, nos falávamos pouco e eu procurava sempre estar ausente ou trancado no quarto.
Já meu pai, o ‘véião’, como eu costumava chamá-lo, era um senhor, administrador de uma empresa de médio porte. Sempre me apoiava escondido, mas também sabia ser rígido. Meu primeiro violão tinha sido dele, quando tinha minha idade. Ganhei-o aos 14 anos... E mais tarde, foi ele quem me deu a guitarra que hoje tenho só o braço, seguro o braço da guitarra em minhas mãos e as lágrimas vão enchendo meus olhos... Julia fica assustada e pergunta o que houve.
_ Não é nada, só estou lembrando dos meus pais... Meu velho ia gostar de você, amor... Ainda mais depois do que você fez por mim...
_ Amor, eu não fiz nada por você, foi você mesmo. E além disso, sabe que eles estão contigo, sempre.
Claramente abalada, Julia derrama algumas lágrimas diante da morte de seus pais. Sem dúvida a morte deles foi muito pior do que a dos meus. Sempre soube que por trás do rosto de traços delicados e do corpo cheio de curvas havia uma mulher forte e decidida, mas nunca imaginei que seria tão forte assim. Quando estava com ela, me sentia muito mais vivo. E vendo seu pranto, abracei-a e a acalmei. Deixei que chorasse, respirasse fundo e enxugasse seu rosto molhado. Infelizmente não tínhamos muito tempo para lamentações, quem dirá para chorar a perda de nossos entes queridos. Ela sabia disso.
Mesmo cansado e sem forças, eu sabia que havia assassinos lá fora, e tinha que proteger Julia a qualquer custo. Havia muitas preocupações e muitas decisões a serem tomadas. Julia estava deprimida e demonstrava algumas características que se assemelhavam a um estado de choque. Talvez só agora estivesse caindo a ficha. Ela presenciou a morte da mãe, teve de matar o próprio pai e sua irmã andava na rua infectada, à procura de novas vítimas.
Não era mais nosso mundo, mas devíamos nos adaptar e sobreviver nas ruas dessa nova necrópole chamada Curitiba. As ruas eram um cemitério de indigentes. Era difícil reconhecer os mortos, todos estavam deformados e vários deles já exalavam um cheiro horrível. Não sabia se deixávamos Saddam como cão de guarda fora de casa ou se o mantínhamos para dentro de casa. Caso algum enfermo chegasse próximo da casa, Saddam poderia começar a latir, chamando a atenção os outros doentes. No entanto, em caso de invasão, se ele estivesse lá fora, seria nossa maior arma, nossa primeira defesa contra os infectados.
Decidimos que nesta primeira noite, ele ficaria lá fora. Enquanto pensávamos no que fazer para nos preparar, resolvemos que, no dia seguinte tentaremos ligar o gerador que está na garagem, mas antes vou isolar acusticamente um dos quartos. Deixando o gerador em um local acusticamente isolado, podemos não ter problemas com o barulho na parte de fora de casa. Então, com o gerador, teríamos uma cerca elétrica funcionando, de onde eu puxaria alguns fios de cobre e os amarraria nas fechaduras dos portões, dessa forma qualquer maluco que quisesse encostar no portão, tomaria um choque. Estaria feita nossa pequena casa fortificada. O gerador só funcionaria à noite, para que nós dois pudéssemos dormir sem ter que revezar e também para economizar gasolina, afinal de contas, durante o dia o gerador não era necessário. Por mais que exista um posto de gasolina logo em frente a casa, atravessando a rua que corta a avenida, é melhor economizar. Nem ao menos sei como pegar gasolina da bomba de combustível e nem sei se conseguiremos roubar gasolina sem morrer.
Os pais de Julia possuíam dois carros, um carro popular e um utilitário. O segundo era uma espécie de Jeep brasileiro, muito bonito. Meu pai gostava desse carro... Tínhamos muitos gostos em comum... A maior diferença era que eu torcia pelo Atlético Paranaense e ele pelo Coritiba, era a maior rivalidade dos times paranaenses. Sempre dizia que ele era o único coxa-branca que conseguia ser legal de vez em quando, e a recíproca era a mesma. Costumávamos ir aos atletibas juntos... Uma vez na torcida do Coritiba e na seguinte, na torcida do Atlético. Saudades...
Não, esta não era a hora de lembrar o meu pai! Tenho que me concentrar e terminar o plano para garantir nossa segurança. Não existe mais pai, nem mãe, nem música... Tudo agora é Julia e sobrevivência, e enquanto eu viver, ela também estará viva! E se eu morrer que seja para garantir que ela continue lutando!
_ Amor?
Perdido em pensamentos, volto à realidade:
_ Sim?
_ Você poderia tocar aquela música, que eu adoro, no violão né...
_ Always? – Julia adorava esta música, era do Bon Jovi, uma banda de rock que possuía músicas românticas e tinha feito muito sucesso nas décadas de 80 e 90. Ela trazia o violão que eu havia-a dado como presente de natal. Violão de cordas de nylon, para que não machucasse a sua mão delicada.
_ Tá... Mas vou tocar bem baixinho, tudo bem? Ninguém além de nós pode ouvir.
_ Tá!
Pela primeira vez no dia vejo o sorriso cativante dela... Seus lindos olhos brilham enquanto toco e canto a música que ela tanto gosta. A letra, em inglês, era uma declaração de amor em que o refrão dizia:
Eu te amarei, sempre!
E eu vou estar ao seu lado, por toda a eternidade, sempre!
Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar!
Até os céus explodirem e as palavras não rimarem!
E sei que quando eu morrer, você estará em minha mente!
Julia se derretia toda pela música, e eu me animava um pouco mais ao ver que com ela por perto, tudo era melhor e mais leve.
Depois de terminada a música, queríamos dormir, mas ambos estávamos sob muita tensão. Fiz uma massagem em seus ombros. Saddam permanecia quieto lá fora, indicando que tudo estava tranqüilo. Julia queria que eu me deitasse com ela. Recusei o convite. Teria de ficar acordado, de vigia. Ela insistiu dizendo que Saddam acordaria e avisaria se alguém tentasse entrar, mesmo que esse alguém não conseguisse. E tinha razão, mas o medo não me deixava descansar. Qualquer barulho mínimo era motivo para susto e averiguação. Revi todas as portas e trancas, parecia tudo bem e Saddam estava solto no quintal. O cachorro andava em volta da casa às vezes, como se estivesse fazendo uma patrulha.
Era um tanto engraçado observar o comportamento deste cão que eu costumava chamar de ‘urso que late’. Ele era carinhoso somente comigo, com Julia e com dona Marta. Às vezes não parecia ter noção da própria força e ao querer brincar, sempre nos machucava pulando em cima, ou batendo com a sua cabeça nas pernas ou costas das pessoas, tentando indicar que queria carinho.
Viajava em pensamentos e meus ombros e músculos começavam a sentir todo o stress do dia, com o tanto que corri e por todo o esforço lutando contra os infectados, provavelmente ficarei todo dolorido. Acho que vou acabar dormindo aqui com Julia.
Trancamos o quarto e deitamos, apaguei.
Acordei assustado! Já era de manhã, Julia não estava ao meu lado!
Em um salto levantei e abri a porta do quarto. Ela vinha carregando uma bandeja com algumas frutas e uma xícara de café. Assim que me viu, disse:
_ Bom dia, bela adormecida!
Respondi em tom de piada:
_ Bom dia príncipe encantado. Que horas são?
_ São 9 horas se o relógio da cozinha está certo.
_ Como você dormiu? Ouviu algo a noite?
_ Não, não. Dormi como uma pedra. E você?
_ Podiam ter soltado um rojão no quarto, eu continuaria roncando.
Em meio a um sorriso, ela continua:
_ Estava indo te acordar com o café da manhã.
Com um sorriso do tamanho do mundo, dou-lhe um beijo e aceito a bandeja e o café. Enquanto mastigo uma maçã, pergunto:
_ Como está o Saddam?
_ Tá brincando lá fora, parece que ninguém nem chegou perto do portão à noite.
_ Menos mal.
_ Lá fora está tudo calmo, acordei às 7h e não consegui mais dormir, não ouvi nenhum carro, nem nada. Nem ao menos os gemidos e gritos dos infectados. Esse silêncio total me dá arrepios, mas não tanto quanto os gritos dos doentes.
_ Espero que estejam bem longe daqui, bando de filhos de uma p...
_ Amor! – Julia não me deixa terminar a frase e emenda com um sorriso – Já não te falei que é feio ficar falando palavrão na frente de uma menina?
_ Mas que eles são uns filhos de uma puta, isso são! – Respondo.
Ela parece ter acordado com um humor melhor, não sei há quanto tempo estava sem dormir, mas com certeza fazia tempos que não dormia tranquilamente. Já eu, acordei radiante, talvez fosse a companhia, talvez fosse a sensação de invencibilidade por estar em um local seguro. Seguro sim, mas não o suficiente.
Depois de comer, nos preparamos para começar tudo o que havíamos planejado na noite anterior.
Peguei uma faca e comecei a retirar o carpete dos quartos da casa. Julia intrigada me perguntou o motivo de estar fazendo aquilo, respondi que era para isolar acusticamente o quarto onde deixaríamos o gerador, dessa forma ninguém fora de casa poderia nos ouvir.
Durante toda a manhã estive tampando todos os furos e poros do quarto escolhido e colando o carpete pelas paredes e teto. Então almoçamos. Depois, carregamos o gerador para dentro, e o ligamos. Deixaríamos o gerador ligado apenas durante a noite, para manter a cerca elétrica funcionando junto dos eletrodomésticos essenciais como a geladeira.
O gerador fazia menos barulho do que eu imaginava e isto era ótimo! Com o isolamento pronto, do lado de fora da casa mal se ouvia o ruído. A sua autonomia era de aproximadamente 15 horas, possuía um tanque de combustível de 15 litros de gasolina, uma hora por litro.
Dos dois carros que Dona Marta e Seu Jair possuíam, um deles era um utilitário voltado às estradas. Seria-nos muito útil em caso de fuga às pressas. Este utilitário tinha sido o carro do Seu Jair, usado para fazer trilhas e ir para locais de pescaria nos finais de semana. O outro era um carro popular um tanto velho, muito econômico para se usar na cidade, se é que ainda pode-se andar de carro nas ruas com a atual situação. Decidimos usar a gasolina do carro popular para alimentar o gerador. Por mais que fosse econômico, o utilitário era muito mais resistente e parecia fornecer proteção muito maior.
Testamos o gerador com a gasolina que ainda estava em seu motor. Havia também um pequeno galão de 20 litros na garagem. Deixei este galão dentro de casa, por segurança. Estava tudo funcionando, desliguei nossa mais nova mini usina de geração de energia elétrica e me preparei para por o principal dos planos em ação. Não entendia muito de eletrônica, mas conseguia me virar.
O objetivo era ligar a cerca elétrica direto no gerador e puxar um cabo da cerca elétrica para o portão, ou da tomada para o portão se fosse necessário. Desta forma o infectado que tentasse entrar pelo portão pequeno seria eletrocutado. Para travar o portão da garagem, dei ré no carro até que ficasse encostado no mesmo. Optamos por não ligar o controle do portão da garagem no gerador. Se fosse para ser aberto, teria de ser de forma manual. Como não pretendíamos sair de casa nos próximos seis dias, não havia necessidade de abrir nenhum dos portões.
Terminei por volta das 16 horas, testamos as invenções e notei que nem tudo funcionava como previsto. No entanto, a geladeira e a cerca elétrica, junto do novo portão eletrificado funcionavam perfeitamente. Agora era evitar que Saddam desse de cara no portão e morresse. No teste eu já havia tomado um choque que me deixou atordoado e tive a ponta de um dos dedos queimada. Perfeito! O próximo que encostasse se machucaria muito mais que eu!
Peguei umas tábuas que havia na garagem, que na verdade parecia mais para um galpão abandonado, e fiz um cercado, evitando que Saddam se aproximasse do portão. Com o que sobrou, cortei em pedaços de tamanho suficiente para que barrassem a porta da casa. Não iríamos pregar dentro de casa e nos trancar dessa forma. Usei uma furadeira e prendi alguns ganchos na parede, inclusive um deles foi retirado de algum pedaço do carro popular da falecida Dona Marta. Já que o carro não serviria mais para andar, resolvi aproveitar suas peças.
Depois de colocados oito ganchos na porta, cortei as tábuas de forma que se encaixassem nos ganchos de maneira bem justa, sem sobras. Assim, mesmo que conseguissem quebrar a porta, não entrariam em casa durante a noite devido às tábuas que barrariam a ação do invasor. Como a porta abria para o lado onde estavam as novas trancas, seria difícil entrar.
Ficou tudo ótimo. Já estava começando a anoitecer, então nem desligaríamos o gerador hoje, desta forma poderíamos tentar ver algo na televisão, buscando nos informar e verificar o que poderia ser feito para que fossemos resgatados ou ao menos, continuássemos vivos.
Quando entrei em casa e coloquei as tábuas nos ganchos, Julia me olhava com jeito de quem estava irritada e disse:
_ Você não esperava que eu limpasse toda essa zona que você fez arrancando o carpete dos quartos né?
Eu, sem jeito e visivelmente mentindo, digo:
_ Claro que não amor, eu mesmo vou limpar, mas hoje não deu tempo.
_ É... Homens... Sempre deixando a sujeira para nós, mulheres, ou falando que depois limpam...
Sorri meio sem jeito, Julia pareceu brava dizendo que eu estava debochando. Era delicada, mas geniosa. Pegou uma toalha e foi para o banho.
Sentei no sofá e liguei a televisão esperando que conseguisse qualquer notícia sobre esse inferno. No canal um, passava novela. Não é possível que no meio disto tudo, ainda tivesse emissora passando novelinha romântica enquanto as pessoas eram assassinadas nas ruas. Pulei de canal em canal, a maioria estava fora do ar. Parei em um onde um jornalista dizia:
_ É caótica a situação em Porto Alegre! A doença se alastra como uma epidemia e ao que parece, a maioria das pessoas que não é assassinada de forma brutal, acaba sendo infectada. Em alguns locais há faixas com pedidos de socorro nos telhados. São Paulo e Rio de Janeiro estão em situação ainda pior, toda a comida é saqueada e os poucos sobreviventes matam uns aos outros por medo ou desconfiança.
Na tela surgiam imagens feitas de helicóptero mostrando as faixas de pedidos de socorro, algumas mensagens apocalípticas e pessoas vagando pelas ruas em meio à destruição. Como não pensei em colocar um aviso no telhado? Se passasse algum avião ou helicóptero poderia ver que existem sobreviventes aqui. Fiquei preocupado demais em transformar a casa em um forte e esqueci que nosso objetivo era estar no local mais seguro possível.
_ Notícias de todo Brasil confirmam que as principais capitais estão fora de controle e decretaram estado de calamidade pública, bem como, lei marcial. Pedimos às pessoas que não saiam de casa sob hipótese alguma. Se possuírem familiares desaparecidos ou em outras localidades não tentem ir até estas pessoas. Infelizmente as chances de nossos entes estarem em segurança são mínimas.
Agora, peço aos telespectadores que não possuem estomago forte ou sofrem de problemas cardíacos para que desliguem o seu televisor, pois o que veremos são cenas muito fortes filmadas por um cinegrafista amador na cidade de Curitiba e enviadas a nós sem qualquer identificação. Não temos a certeza sobre a veracidade das imagens, no entanto, é nosso dever mostrar ao público o que pode estar ocorrendo nas cidades infectadas.
O vídeo começou e quem assistia conseguia ver algumas pessoas andando pelo Parque Barigui, outras correndo. Era início de manhã e parecia tudo normal. Todo dia bastante gente ia ao conhecido parque para se exercitar. Quem filmava parecia feliz, contava-nos sobre a história do parque, ao que tudo indicava era um trabalho de colégio ou faculdade sendo feito. Quando de repente a câmera dá um tranco e é atirada ao longe, cai filmando o gramado logo adiante e ouvem-se os gritos e vê-se o sangue espirrando na grama molhada da manhã. Então a câmera parece ser chutada de leve por alguém que passava e acaba virando em direção ao seu dono, deitado e sendo despedaçado no chão... Um infectado sai mancando, com seu tornozelo quebrado, pelo gramado, arrastando um machado. Então outro, parecendo um pedinte, com vestes precárias e barba por fazer se aproxima do dono da câmera e começa a mordê-lo enquanto este ainda agoniza se afogando no próprio sangue.
As pessoas em volta passam a correr em direção contrária aos dois assassinos. Alguém pega a câmera do chão e sai correndo. Enquanto tenta correr, o infectado com aparência de mendigo avança em sua direção e morde seu braço, tomando um chute logo em seguida. A pessoa que foi mordida consegue escapar e vai até a rua que passa em frente ao parque. Chegando à rua, a câmera flagra alguns corpos no chão e outras pessoas fugindo do pequeno grupo de infectados. Várias das pessoas estão machucadas e entram em seus carros para se esconder e dirigir rumo ao hospital ou para suas casas. Algumas tentam fugir a pé, vê-se varias caindo e sendo mortas, outras caindo, sendo machucadas, se levantando e continuando a correr.
A cena é forte o cenário é de completa desolação. Então, novamente a câmera voa e cai no chão, uma poça de sangue começa a se formar e vai em direção a câmera, então alguém dá um tiro e ouve-se o barulho de um corpo caindo ao chão. Provavelmente o infectado que matou o portador da câmera acaba de ser baleado. A pessoa que deu o tiro pega-a do chão novamente, desliga-a e filmagem acaba. O programa volta ao âncora que agora fala nitidamente abalado:
_ Novamente pedimos a todos que não saiam de suas casas e façam silêncio, é a melhor forma de se manter vivo agora. As comunicações de grande parte das cidades afetadas foram cortadas. Não há relatos de locais onde existam grupos de sobreviventes. Os exércitos estão nas ruas tentando conter a infecção através do ataque aos flagelados. É uma atitude cruel, contudo, não há previsão de antídoto ou cura para a enfermidade. Caso você esteja com alguém que foi mordido ou ferido por um dos infectados, tome muito cuidado. A doença tem um período de incubação que vai de poucas horas até alguns dias, são muito raros os casos em que alguém apresenta imunidade ao vírus. Portanto, o melhor a fazer é isolar a pessoa machucada e se preparar para o pior.
Repetindo: O melhor a fazer caso você conheça alguém que foi mordido ou machucado por um infectado é isolar a pessoa em questão e caso apareçam sinais claros de infecção deve-se... Matá-la.
Julia saía do banho e eu chamei-a para assistir, ela estava só de toalha, isto tirou grande parte da minha atenção do noticiário, mas não a dela.
Não existe cura nem vacina para a doença. Alguns grupos religiosos afirmam ser o fim dos tempos, outros dizem que a previsão do fim de Nostradamus está se concretizando neste exato momento. Outras pessoas afirmam se tratarem de mortos que voltaram à vida. Autoridades não sabem como tratar a doença e se você está assistindo não espere por ajuda governamental.
Os sintomas mais fáceis de serem notados nos infectados são: Manchas e machucados por toda a pele e uma agressividade desmedida. Há relatos de que os enfermos em estágio avançado passam a se alimentar de pessoas e animais encontrados nas ruas, estejam elas mortas ou não. Não há relatos de animais infectados, além de humanos e primatas.
_ É... Tá feia a coisa – Disse Julia, curiosa. – Bem como você falou que era. Como você sabia disso?
Eu, perdido admirando suas belas pernas, volto à realidade:
_ Ah? Eu? Ah sim... É... Presumi que fosse assim. Parecia que quanto mais louco, menor a coordenação motora e... Maior a agressividade... Logo... O que eles pudessem comer sem usar as mãos... Seria um alvo mais fácil... Como já havia dito...
Julia notava que enquanto falava, mal conseguia me concentrar. Ela sorria, sabia o motivo da perda da concentração e conhecia o efeito hipnotizante que tinha sobre mim. Sentia-se poderosa nesta situação. Seus cabelos escuros e ainda molhados contrastavam com seu tom de pele claro. Seus verdes olhos tinham recuperado o brilho de antigamente e sua boca voltava aos poucos a ter a cor original.
Levantei-me e beijei-a, abraçando com força. A toalha se desprendeu de seus ombros e caiu, mostrando suas formas perfeitas. Descia minha boca pelo seu pescoço, ouvindo sua respiração aumentar de intensidade. Continuei descendo suavemente pelo seu corpo enquanto minhas mãos escorregavam pelas suas costas em direção às pernas. Julia apenas deixava que eu a desse o máximo de prazer. Sabia que o seu prazer era o que me excitava e que depois deste reencontro tão sofrido e que pareceu demorar anos para que acontecesse, tudo que eu queria era fazê-la se sentir mais leve e mais amada do que nunca.
Sua pele era macia e gostosa, possuía seios de tamanho normal, nem exagerados nem pequenos. Sua barriga era lisinha e as pernas bem torneadas, seu hobby de passar horas na academia fazia com que parecesse uma das mulheres que posavam para as revistas eróticas. Amei-a como nunca antes e a cada novo gemido de prazer por parte dela, me sentia mais forte e confiante, dominando-a completamente. Julia não admitia que gostasse de ser dominada, mas isto estava explícito em seu jeito de menina decidida que se enquadrava em um padrão de beleza muito superior à média. Desde nossa primeira vez foi assim, e sempre saía completamente satisfeita desta forma. Assim como não admitia que gostasse, nunca havia negado o fato ou afirmado o contrário. Era um tanto tímida para uma garota tão linda e inteligente.
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17 comentários:
Meu ta cada vez melhor, demais J.G Parabéns!!!
"Julia saía do banho e eu chamei-a para assistir, ela estava só de toalha, isto tirou grande parte da minha atenção do noticiário, mas não a dela."
demais demais, mostrou muita sinceridade, coisa que não aparece nos filmes sobre esse tema!
Pocante! *-*
Ta show mesmo!
Ryuzaki disse:
A historia ta boa
Gosto de climas assim.
Quando os personagens são normais.
So espero que mais a frente num possivel grupo de sobrevivencia, os personagens não virem Chuck norris, ninjas e afins.E comecem a detonar os zumbis facilmente.
Tá muito boa a história!
Parabéns pelo seu trabalho, espero que você se de bem na vida pelo seu trabalho, você é muito bom nisso.
Quando sai o próximo capítulo?
Desde já agradeço.
Opa, agradeço MUITO pelos elogios. Infelizmente escrever é só um hobby, minha profissão é relacionada à música, sou luthier.
O próximo capítulo é para sair no final de semana, mas não garanto, ainda não tive tempo de começa-lo hahaha.
Obrigado pelo apoio galera! Espero poder retribuir com capítulos bem escritos e que valham a sua atenção e tempo gastos no blog!
Abraços!
cara tua história tah muito foda continua ae
comecei a ler a pouco tempo e gostei da sua historia
gostaria q vc n abandonace ela e continuace
vc é bom em escrever
cara, a história ta muito boa !
continua assim !
Ta muito massa!
Continue assim.
Cade o cap 6???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????
Parou de escrever?
Morreu?
por favor,n pare,continua,a historia tá ótima
Abandonou? :|
Galera, não abandonei o projeto. Apenas estou sem tempo para escrever. Apenas ontem pude voltar a escrever, estou finalizando o capítulo 6. Se der, hoje ainda postarei!
Abraços e muito obrigado pelo apoio!
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