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Capítulo 2 - A Nova Realidade

Ao ouvir o estrondo da porta sendo derrubada, respiro fundo, tentando não tremer e não fazer qualquer barulho que possa entregar minha posição. Estou escondido no banheiro, está escuro, porém, amanhecendo. Talvez um deles, se prestar mais atenção, consiga me ver devido aos primeiros raios de Sol, talvez possa ser visto caso um deles resolva entrar no banheiro, posso ser visto tentando fugir... Não há muita escapatória... Talvez não acha escapatória alguma.

Dos 3, o que mais me amedronta é o canibal, por mais idiota que possa parecer, o fato dele matar as pessoas rasgando suas entranhas em mordidas ferozes, me faz tremer. Os outros 2 deixaram suas armas paradas no pátio enquanto espancavam a menina do número 02. Ao menos esses desgraçados são burros... O problema maior é... são 3 contra 1, e minha arma é uma guitarra velha que, até algum tempo atrás, era de onde eu tirava meu sustento... Não vai ser fácil me livrar dela assim. Nem deles.

Os infectados invadiram minha casa e não encontraram nada, nenhum grito... Então resolveram revirar e quebrar tudo que encontravam, talvez fosse uma medida para me atordoar e me forçar a revelar minha posição, contudo, não acredito que seriam inteligentes a este ponto. O mais provável era que tivessem ficado bravos por não ter encontrado mais uma vítima para ser brutalmente e covardemente assassinada em um lugar sem saída.

Começaram quebrando meu computador e meu amplificador de guitarra, as duas coisas mais importantes que eu possuia em casa... Fiquei furioso, mas sabia que era melhor o amplificador, do que eu. De que serviria um ampli novinho e um notebook onde não se tem energia elétrica? O problema maior era o canibal, que parecia sentir cheiro de comida, enquanto os outros procuravam por uma diversão mórbida e arruaça. O canibal vinha aos poucos em direção ao banheiro, que ficava bem próximo à saída da kitinete. Eu o via pelo fresto da porta entreaberta, enquanto as luzes do fogo lá fora passavam a ser coadjuvantes diante dos primeiros raios de sol.

Quando o monstro estava bem próximo e eu me preparava para sentar-lhe uma guitarra no meio daquela cara imunda, um dos imbecis joga minha televisão no chão, fazendo-a em milhões de pedaços, isso volta a atenção do canibal e do outro, que remexia na minha geladeira quase vazia. Nesta hora vi a oportunidade de fugir. Enquanto os 3 olhavam curiosos para a tv em pedaços e continuavam a quebrá-la, abri a porta do banheiro bem devagar, sem que fizesse barulho...

Olhei com cuidado, para garantir que não estava sendo visto... Comecei a tremer, era vida ou morte... E se eu corresse... Iria correr para onde? Eles viriam atrás de mim, eu não tinha o que fazer. Se eu ficasse era morte certa, lutar contra 3 lunáticos tendo um instrumento musical como arma não deve ser muito fácil... Ainda mais quando um desses lunáticos tenta arrancar sua cabeça à mordidas e os outros se divertem esmagando seus ossos e quebrando seus dentes. A adrenalina tomava conta de mim, fazia com que eu firmasse meus pés e mãos, respirava em tom acelerado, porém silencioso. A qualquer momento, deveria dar uma investida contra estes desgraçados ou tentar correr sem que eles me vissem. A investida não era uma primeira opção aceitável.

Tomei coragem e em um instante saí correndo, eram apenas 3 ou 4 passos do banheiro até a saída, se eu fosse rápido e silencioso poderia sair sem ser notato. No entanto, não me lembrei que a porta estava no chão, e quando corri, pisei em cima dela, inevitavelmente, o barulho dos meus passos ecoaram pela casa. Muito pouco barulho para que alguém 'normal' percebesse em meio ao alvoroço que faziam com minha televisão e objetos pessoais, mas o suficiente para que o canibal ouvisse. Ele gritou e veio em minha direção seguido dos outros 2, que possuiam olhos cheios de ódio e, obviamente, teria de ser rápido se quisesse fugir. Eles não desistiram tão cedo.

A guitarra era pesada demais para me acompanhar na fuga, e sem ela as chances de morrer assim que cruzasse o portão eram ainda maiores. Pensei rápido e assim que saí de casa, dei um passo ao lado, me encostei na parede e deixei a guitarra em uma posição como se fosse um taco de baseball. Era hora de um pouco de ação, talvez fosse hora de morrer lutando!

Assim que o canibal aparece na porta, viro com toda a força estourando sua cabeça com uma guitarrada, com o impacto ele é atirado para trás, caindo em cima dos outros 2. Aproveitando a oportunidade, em um passo entro em casa, e salto sobre os outros 2, que tentavam se desvencilhar do inerte canibal, provavelmente morto. Foda-se se ele está morto ou não, ainda restam dois assassinos, deitados, como se esperassem pela morte, assim como eu fazia enquanto observava as agressões aos meus vizinhos. Com um salto, faço de minha guitarra um tacape, e cravo-lhes guitarradas cheias de fúria em seus crânios que quebram e penetram em seus cérebros, enquanto a guitarra e o chão são banhados em sangue e meu belo instrumento, que antigamente era tão bem cuidado, partia ao meio. Mesmo com a guitarra quebrada e pendurada pelas suas cordas, não paro de atacar os malditos, e depois de amassados os cérebros dos 2, passo para o canibal, que ainda estava desacordado. E continuaria assim.

A satisfação que isto gera em mim é sombria... Nunca me imaginei matando pessoas e sentindo um prazer indescritível nisto. Talvez seja esta a sensação dos psicopatas que víamos nos telejornais. Mas eu não, isto tudo era puro instinto de sobrevivência e raiva contida. A sensação de vingar meu amigo Guilherme e todos os outros que haviam sido vitimados por estas criaturas. Vi e ouvi amigos e colegas serem mortos friamente enquanto os assassinos sorriam e se divertiam em pisar-lhes, rasgar-lhes e quebrar seus ossos. Agora era a minha vez de me divertir.

Terminado o banho de sangue, vejo que tudo em casa está quebrado, que a porta não pode ser posta no lugar e imagino que o cheiro pútrido de corpos ao relento chamará a atenção de vários dos infectados em estágio avançado. É melhor sair daqui, e rápido.

Pego minha mochila, debaixo da cama, junto a pouca água e suprimentos que possuo. Dou adeus às minhas cervejas na geladeira também, melhor me manter angustiado e alerta do que bêbado e morto. Por um instante penso em pegar uma escova de dentes e até tomar um banho, mas não creio que isto possa me ajudar na situação em que estou. Lembro de Julia e imagino o que pode ter acontecido com a menina que tem sido a razão principal de eu me manter longe daquelas coisas que costumava usar antes de conhece-la. É melhor eu ir atrás dela. Ou morrer tentando.

Troco de roupa, pois a que eu vestia estava banhada em sangue infectado. Desmonto minha guitarra, vou levar apenas o braço dela comigo, assim, ocupa menos peso e posso fazer ele de bastão. É de madeira dura e possui uma barra de ferro chamada 'Tensor' dentro dela, ou seja, é dura, pesada e inquebrável! Ao desmontar a guitarra, ouço barulho la fora... Desta vez não vou esperar, pego os restos da minha guitarra, minha mochila e saio à porta, já me preparando para tentar subir na grade da janela, alcançar o muro e correr. No entanto, o que vejo é apenas um cachorro de rua em frente ao pátio... Fico-o observando, e imaginando o que será que eles devem estar pensando disso tudo... Será que os cachorros também adquirem essa doença horrível? Se sim, é melhor eu escalar o muro. De qualquer forma seria muito arriscado sair pelo portao arrombado para dar uma olhada na situação da rua. Melhor não chegar perto do portão, nem para pegar o pé-de-cabra no chão... Melhor verificar a situação de cima do telhado... Enquanto subo no muro, observo o cachorrinho, ele parece estar tão curioso com relação a mim, quanto eu com relação à ele. Este momento dura pouco... Um infectado aparece vindo da rua e pula em cima do animal, mordendo-o e fazendo-o chorar enquanto é atacado. Fico imóvel em cima do muro, vendo o pobre cão ser dilacerado, enquanto me olha parecendo implorar por socorro... Noto que lágrimas surgem nos meus olhos... Volto a tremer... E me dou conta de tudo... Nada mais vai ser como antes.

Enquanto sinto o peso das drásticas mudanças em minhas costas, e a consciência grita o nome de Julia, subo no telhado, para observar o que já previa... Destruição e morte. Carros em chamas, carros que já tinham queimado e o fogo apagou com o tempo, um rio de sangue e o aslfato misturando tons de cinza e um vermelho escuro, quase preto, que denotava o líquido seco que um dia correu pelas veias de um ser humano. Tudo ali, espalhado no asfalto e juntando moscas ao seu redor... Os corpos jaziam espalhados pelas ruas e calçadas. Alguns estavam sem braços, outros sem pernas, vários com cabeças penduradas e outros interamente mutilados. Havia também braços sem corpos e órgãos humanos apodrecidos espalhados pelo chão. Conseguia ainda focar em alguns animais de estimação, que com toda certeza, foram os primeiros a morrer. Fiéis aos seus donos, enquanto os mesmos os deixavam à morte ou matavam-os sem motivo algum. Agora o cheiro podre da morte entrava pelas minhas narinas me fazendo ver a realidade em que estava.

Pensei em como sobreviveria a partir de agora... Precisava de comida e água. Os super mercados eram uma hipótese absurda, pois era lógico que os recém-infectados, famintos, recorreriam a estes lugares para saciar seus apetites vorazes. E pensando nisto, é melhor eu não ficar muito exposto, me abaixar, mesmo em cima deste telhado. Os infectados podem me ver e alguns ainda podem ter habilidades suficientes para escalar o muro ou arremessar objetos.

Sem explicação lógica aparente, me sinto sem forças, perdido no meio de um mundo desconhecido, onde talvez a única saída seja a morte. Mas não vou desistir agora. Não depois de ter visto o que vi e feito o que fiz. Não lutei tanto para me entregar. Levanto-me e tomo impulso para alcançar o muro novamente. Não, não vou descer, apenas vou tentar fazer meu caminho por cima dos telhados, assim as chances deles me perseguirem são bem menores.

Meus objetivos neste mundo sem leis?
Sobreviver, encontrar Julia e garantir que ela sobreviva também!

Já devem ser perto das 8 horas da manhã, mesmo sendo inverno, dá para sentir o calor do Sol, e este calor faz com que os corpos no chão exalem um cheiro ainda mais forte que o habitual. Estou andando por cima dos muros e telhados que ficam no interior de cada quarteirão. É arriscado andar por cima dos muros que dão acesso às ruas, sem dúvida deve haver gente com uma arma e muito medo em casa, atirando em tudo que se mova.

Daqui até a casa da Julia são 7 quadras... Talvez eu tenha de andar pelas ruas neste percurso... Subindo de muro em muro, consegui chegar ao telhado de uma grande loja, sentado no telhado posso ver a rua principal, assim como as ruas que a cortam. Estão cheias de carros, corpos e destruição. A diferença é que vários infectados vagam por ali. Será que eles percorrem os mesmos lugares que percorriam quando possuiam maior consciência dos seus atos? Espero que sim, aí ficará mais fácil achar rotas alternativas por onde eu possa andar e fugir. Não consigo entender o motivo deles atacarem as pessoas, mas não atacarem uns aos outros. Será que identificam as pessoas doentes como sendo alvos ruins para se abater ou acreditam que são de mesma 'espécie', podendo se reunir em grupos para caçar? Será que eles armam emboscadas? De qualquer forma, não há tempo para pensar nisso agora. Preciso encontra-la o quanto antes... Quanto mais tempo gasto pensando nisso tudo, menores são as chances dela sobreviver.

Olhando ao redor, percebo que não tenho como continuar, não há telhado próximo, terei de descer e andar pelo estacionamento da loja, até o próximo muro, que é uma divisão entre esta loja e uma outra loja de carros usados. Esta região costumava ter muitas lojas de automóveis, e isto só aumentou depois das medidas do governo para incentivo ao consumo durante a última crise global. Mais uma coisa que mudou depois disso tudo... Não há carros andando nas ruas, também não há mais crises econômicas. Enquanto observo ao redor da loja para ver se é seguro descer, ouço alguns infectados procurando o que matar nas ruas.

Desço sem fazer barulho e com muito cuidado. Afinal de contas, se me machucar, posso morrer por não conseguir fugir dos infectados ou pode infeccionar o machucado em questão. Agora não devem existir mais hospitais e farmácias funcionando. Quando chego ao chão, me sinto aliviado por não ver nenhum desses malditos na área. Como todo cuidado é pouco, ando rente à parede de trás da loja, de forma que ninguém consiga me ver da rua. Quando chego ao final da parede, calculo algo em torno de 5metros até o muro, espaço onde qualquer um na rua poderá me ver, e pulando o muro, posso chegar numa loja onde posso escalar sua estrutura em alumínio e subir no telhado. Mas espera aí... de que isto adiantaria se esta segunda loja fica na esquina? Terei de dar a cara à tapa e rezar para não aparecer ninguém... Atravessar a rua nunca foi tão perigoso.

Com medo, pulo o muro que dá para a segunda loja... Só não contava com esta, o alarme da loja soa e todos os infectados num raio de cem metros correrão para cá... pulo a grade da loja e corro em direção à casa da Julia, faltam 6 quadras, e deve ter dezenas deles atrás de mim. Não tenho tempo de olhar para trás, apenas ouço os gritos. Enquanto corro, aparecem mais deles, atraídos pelo barulho da loja. E agora, talvez o maior dos problemas... 2 infectados vêm na minha direção. Terei de usar minha guitarra novamente.

Tirando o braço da guitarra da mochila, enquanto corro me preparo para o primeiro, ele vem enlouquecido sem armas ou qualquer coisa do tipo em mãos. Provavelmente é um canibal. Preparado, vou de frente à ele e ao chegar perto dou um passo pro lado e invisto com o braço de minha guitarra direto em seu rosto. No reflexo ele pula em direção as minhas pernas, fazendo com que eu erre a 'tacada' e também errando meus pés, o infectado bate com o rosto no asfalto. Seria cômico se eu não estivesse para morrer. O segundo, é uma pessoa obesa, vem com um facão em mãos. O facão assusta, mas como é uma pessoa muito acima do peso, consigo desviar girando por cima do capo de um carro próximo, enquanto ele acerta uma facãozada no meio do carro. Pronto! Maravilha, nada mais vem da minha frente, agora tenho apenas uns 30 infectados às minhas costas! E correr com todas as forças cansa rápido...

Chego à uma concessionária Ford, tem uma grade um tanto alta, difícil de ultrapassar por quem está fora do peso ou não possui boa coordenação motora. Pulo ela com relativa facilidade, enquanto os infectados grudam-se à ela desesperados. Alegre, grito:
_Toma, bando de filho da puta!!!
Só aí percebo, me alegrei cedo demais. Ainda existiam os que conseguiam pular as grades, afinal de contas, a infecção era muito recente. Corro desesperado, antes que eles consigam pular a grade. Chegando ao outro lado, escalo e já pulo, novamente. Meu tornozelo dói, acho que o torci. No desespero, estou pouco me lixando para isso, continuo correndo e procurando um abrigo. Vejo um carro aberto logo a frente, talvez as chaves estejam por ali. Corro até o carro e vejo que há marcas de sangue. Uma criança infectada pula do banco de trás desesperada e eu mais desesperado ainda, dou com o que tinha sido o braço da minha guitarra, nas pernas da criança. Ela cai, deve ter quebrado vários ossos. Como estou assustado e não consigo raciocinar muito bem, me ponho à correr novamente. Poderia ter entrado no carro e arrancado com ele. Ou entrado no carro e morrido por não conseguir arrancar. Não vi se as chaves estavam ali ou não.

Os monstros estavam perto demais para me dar ao luxo de tentar pensar friamente. Subo em mais um muro, dessa vez, eles quase me pegam. Deram a volta pela grade da concessionária e não notei que estavam tão perto. De cima do muro, pulo em cima de um caminhão estacionado de frente ao muro e ao lado do que foi uma revenda de caminhões. Ali em cima eles não vão me alcançar tão cedo, mas uma hora vão me pegar. Então lembrei que os canibais buscavam por comida, não só por carne humana. Abri minha mochila e joguei toda a comida que eu tinha, na cabeça deles. Enquanto eles disputavam a comida, os infectados que não estavam morrendo de fome (ainda), tentavam subir no caminhão. Pulo de cima do caminhão para dentro da sua carroceria, corro por ela e desço sem que fizesse muito barulho. Os imbecis continuam subindo no caminhão, quando me vêem, estou a mais de 15metros de distância, eles insistem em me perseguir.

Assim como os famintos que não conseguiram comida, os que tem sede por sangue correm loucamente, alguns ainda tentando jogar objetos encontrados nas ruas e outros caindo ao tentar se abaixar para pegar um objeto. Neste ritmo vou cansando e vendo que meu fim se aproxima. Faltam duzentos metros para a casa de Julia, não posso chegar lá com vinte loucos no meu encalço. Dessa forma, só estaria pondo-a em risco, ao invés de salvá-la. Tenho uma idéia!

Há uma estação de tratamento de água muito próxima daqui, correrei até lá, pularei a pequena grade que a cerca, escalarei a caixa d'agua e aí... Sei lá...

Meu plano funciona, como sou mais ágil que esses imbecis, consigo pular a grade de forma rápida enquanto eles se debatem tentando. Isto me dá tempo de subir um bom tanto pelas escadas laterais da caixa d'agua que um dia abasteceu todo o bairro. As escadas são pequenas, lisas e eles são bastante idiotas em sua busca por sangue. Enquanto alguns se empurram tentando subir, chego no topo da caixa. Eles não parecem conseguir subir, não ainda... Uma hora eles conseguirão. Pego minha 'arma' e me preparo. Só há uma entrada e esta entrada é a única saída, é uma altura de aproximadamente quinze metros, se eu conseguir derrubar conforme eles vão subindo, seria um grande estrago.

Me preparo e aguardo, mas subitamente me lembro! - Espera! - penso comigo mesmo. Além de usar o bastão, porque não dar uma ajudinha à lei da gravidade? Verifico minha mochila procurando por algo em específico e encontro algumas coisas que eu levava quando saia para fazer ciclismo...
Dentre elas um desengripante para correias, janelas e materiais metálicos enferrujados ou emperrados. Show de bola! Gasto boa parte da lata nos 4 últimos degraus da escada, e por pouco o que vinha por primeiro nao me pega. Espero apenas alguns segundos para ver se há resultado e vejo uma cena que me agrada muito... O idiota chega ao topo caixa d'agua e eu acerto-o em cheio na cabeça, seus pés deslizam pelos degraus cheios de desengripante e ele cai por cima dos 2 que vinham em seguida. Ouço o barulho dos corpos batendo com violência no chão. Dou risada e tenho vontade de gritar, mas um grito pode chamar a atenção de outros infectados que estejam andando pela região.

Agora o segredo é esperar e, a cada novo imbecil que aparecer, dar uma porrada em sua cabeça, uma hora eles devem cansar... Caso não cansem ou não desistam de subir, estou ferrado. Com a água que tenho, devo conseguir sobreviver aqui em cima por 2 dias. Talvez seja tempo mais que suficiente para que eles percam suas habilidades motoras, talvez seja tempo mais que suficiente para que o lugar fique infestado de maníacos assassinos e canibais, me deixando sem opção e sem rota de fuga. Agora percebo que talvez não tenha sido a melhor solução. Resolveu a situação naquele momento. Mas agora tenho um novo desafio:
Não sei como vou sair daqui.