SlideShow

6

Capítulo 1 - Inferno Curitibano

Bem... Não sei dizer há quanto tempo estamos tentando sobreviver, mas me recordo que tudo começou 2 meses antes da infecção chegar no Brasil. Era começo de Julho, o mundo vivia em caos. Guerras, atentados terroristas, fome, AIDS, etc... Ironicamente, isso tudo não é mais problema.

Através da mídia internacional, foi divulgada a notícia de que um vírus mutante, feito em laboratório, que aliava 2 tipos específicos de vírus, havia sido liberado por um grupo terrorista no Oriente Médio. Talvez fosse algo como Anthrax ou qualquer coisa do gênero. Houve um certo alarde e vários grupos terroristas assumiram a autoria do atentado. Lembro que um deles, como prova de autoria, enviou uma carta a várias emissoras de televisão indicando os sintomas e período necessário para que os sintomas surgissem. Era algo como:

"Pedimos a todos os fiéis que orem e protejam-se. O vírus foi solto acidentalmente e pode representar a extinção da raça humana. Todos os infiéis arderão no inferno! O contágio se faz através da saliva e do sangue. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas todos incluem:
- Perda do raciocínio lógico, restando apenas as funções básicas de caça e sobrevivência.
- Perda do controle da voz, fazendo com que o infectado não consiga se comunicar de forma clara.
- Manchas, hematomas, bolhas e ferimentos por toda a pele
- Aumento imensurável da agressividade e hostilidade.
- Agitação intensa e hiperatividade.
O período de incubação é de 24 a 48 horas, após isto, todos que estão ao redor do infectado poderão ser mortos pelo mesmo!"

Como sempre, a ameaça fora levada a sério, mas nem tanto. Isto estava mais para filme de terror do que uma nova doença. Até achei um pouco engraçado, um grupo terrorista avisando para que as pessoas tomassem cuidado para não morrer devido à doença que eles haviam criado. Mal sabiam os extremistas que estes sintomas eram apenas o começo...

Alguns dias após o vírus ser solto, muitas pessoas ficaram doentes e sem motivo aparente se tornavam arruaceiros e assassinos. Os infectados saiam às ruas destruindo tudo, aos gritos, usando o que tivessem à mão para machucar e matar pessoas comuns. E a cada dia mais pessoas se infectavam, e saiam pelas ruas matando outras e o único meio de saber quem havia sido infectado havia mais tempo e a menos tempo era pelo desespero nos gritos dos doentes e pela falta de coordenação motora com relação ao manuseio de objetos.

Depois de algum tempo, foi noticiada em vídeo uma atrocidade que poucos acreditaram ser possível. Os doentes que perdiam a capacidade de se alimentar de forma normal, devido à falta de habilidades manuais, passavam a atacar e morder tudo que era vivo, exceto outros doentes. Ou seja... Passavam a ser caçadores! Corriam enlouquecidos atrás de animais domésticos e pessoas e os devoravam de forma brutal e nojenta. Dava para ver pequenos animais sendo comidos vivos e até mesmo pessoas que tentavam fugir e acabam se cansando de correr... Era horrível, os gritos de horror tomavam conta das cidades, as pessoas temiam tudo e todos. Onde havia armas, havia mais morte do que onde existiam muitos infectados. As pessoas armadas desconfiavam de todos, começavam a matar buscando a própria sobrevivência. Os tiros e cheiro de carne morta atraíam os infectados que não conseguiam mais se alimentar, o que era um grande erro, pois uma hora a munição acabaria.

Rodovias foram fechadas, aeroportos também, mas nada adiantou, pois pessoas infectadas já tinham fugido para seus países em busca de abrigo antes mesmo de apresentarem os sintomas...
E assim a doença chegou ao Brasil. Inicialmente foi em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas não demorou mais que alguns dias para que chegasse aqui em Curitiba. Foi declarada Lei Marcial na cidade e todas as pessoas deveriam ficar em casa e esperar pelo pior. Neste dia, o inferno começou!

As comunicações foram cortadas poucos dias depois, bem como a energia elétrica. Estava muito preocupado com minha namorada, morávamos perto um do outro, mas não podíamos sair nas ruas se quisessemos continuar vivos. Curitiba ardia em chamas, pessoas matavam umas as outras. Carros tentavam fugir em altas velocidades atropelando as pessoas que corriam pelas ruas e causando grandes acidentes.

E desta forma, o cheiro de morte se instaurou na capital mais arborizada do país.
Presenciei tudo isto trancado em minha casa, uma kitinete, dentro de um conjunto de kitinetes, próxima a uma avenida movimentada. Haviam sobreviventes em apenas 5 das 8 pequenas casas, então trancamos o único portão que dava acesso ao pátio central, havia uma grade de algo em torno de 3 metros e muros altos ao redor. Se ficassemos em silêncio, talvez não chamássemos a atenção dos infectados mais recentes, que ainda conseguiam pular muros e escalar grades, no entanto, já possuíam um instinto violento de caça e sede por sangue. Não sabia como tantas pessoas se contaminavam, acho que era de entrar em contato com o sangue infectado quando atacadas, e grande parte das pessoas conseguia fugir dos ataques, portanto deviam acabar doentes depois do período de incubação do vírus.

Tinhamos muito medo e preocupações com nossas famílias e pessoas mais próximas. Eu orava todo dia para que minha namorada Julia e sua família estivessem protegidos. Seus pais sempre me apoiaram e fizeram de tudo para que nosso relacionamento desse certo... Mesmo eu sendo músico, uma profissão pouco valorizada na nossa sociedade... Eles confiavam no meu talento. Ah se eu pudesse pegar minha guitarra e por em acordes o desespero das ruas de Curitiba e minhas preocupações com a segurança de Julia. Não podíamos fazer nada, qualquer barulho, era motivo de paranóia.

Tudo era mórbido e cheirava à carne apodrecida e sangue. Pessoas mortas por todos os lados faziam do centro de Curitiba, um cenário triste de desolação e sofrimento. Animais de rua, pássaros necrófagos e enfermos em estágio avançado se alimentavam dos restos humanos expostos por acidentes de carro, atropelamentos e os ataques violentos dos quais todos tentavam fugir.

E assim, os dias foram passando. Os gritos de horror foram diminuindo, assim como o número de pessoas nas ruas. Ou melhor, o que diminuiu foi o número de pessoas "normais". Loucos com grandes machucados por todo o corpo invadiam as casas e era possível ouvir ao longe as súplicas e berros de dor e desespero das pessoas escondidas em suas casas. Era noite e eles pareciam invadir casa por casa na nossa rua... Os infectados vinham grunhindo e arrastando objetos pelo chão... Estavam cada vez mais perto!

O conjunto de kitinetes era pequeno e um tanto escondido. Esperávamos que os enfermos não nos vissem. Cada um dos sobreviventes em sua respectiva casa, ninguém podia sair para se reunir ou falar algo, pois eles rondavam nossa região procurando por sangue. A tensão ia aumentando... ninguém poderia fazer um barulho sequer... O clima ficava pior a cada hora e a tensão ia aumentando e chegou ao seu auge quando vimos o vizinho da casa em frente tentar fugir dos infectados correndo em direção às nossas kitinetes, gritando ao nosso portão por ajuda. Observava tudo pela ventarola do banheiro, um pouco afastado para que não notassem minha presença, morava na última casa, portanto seria o último a ser caçado, caso eles entrassem. E, se quisessem, eles entrarariam!

O martelo de um dos infectados acertou a cabeça de nosso vizinho, estourando seu crânio. O rapaz escorregou já sem vida pelo portão, manchando-o e criando uma poça de sangue no local. Um dos infectados, que pelo jeito já não se alimentava há tempos, se abaixou e começou a lamber o sangue que escorria da nuca do defunto. A menina que vivia na casa de número 2 deu um pequeno grito de espanto, abafado pelo seu horror e medo. Foi suficiente para chamar a atenção dos 2 infectados que espancavam o morto com profundo ódio, enquanto o terceiro o rasgava com seus dentes como se fosse um banquete após uma semana sem comer.

Forçaram o portão... Nada... Usaram seu martelo, mas sem sucesso, pois já não conseguiam raciocinar de forma que buscassem arrombar o portão, queriam é destruí-lo e invadir de qualquer forma. Queriam saber de onde veio o gritinho que entregou a posição de mais uma vítima. Nesta hora agradeci a Deus por eles não pensarem direito e não notarem que era fácil pular a grade. No entanto, um deles andava com um pé de cabra em mãos, e em meio às investidas com a ferramenta, acertou a fechadura do portão de modo que a destruiu em vários pedaços. É... Agradeci cedo demais.

Quando invadiram, a moça da kitinete 2, que era a mais próxima ao portão, tentou correr em direção a 4, buscando ajuda. Os enfermos agarram-se a ela, soltando suas armas e espancando-a enquanto o infectado em grau avançado mordia suas coxas fazendo-a sangrar em meio aos gritos de dor. Estes gritos continuaram por mais alguns segundos até que um dos bichos (se é que posso me referir assim) pisou em seu pescoço, esmagando sua traquéia e fazendo-a sufocar e emudecendo-a enquanto a garota via tudo e servia de alimento para o terceiro, que já dilacerava sua barriga, arrancando grandes pedaços de suas entranhas. Eu acompanhava tudo imóvel, querendo ajuda-la mesmo sabendo que seria minha sentença de morte. Não tive coragem... Deixei que morresse.

Depois de morta, os monstros foram invadindo as casas uma a uma, a 3, que estava desocupada. A 4 onde mataram meu amigo Guilherme. A 5, onde foi assassinada uma linda moça que cursava Odontologia na universidade mais próxima...
Era uma questão de tempo, uma contagem regressiva para minha morte. Era lutar ou morrer. Não conseguia pensar em nada, não possuia armas em casa. Eu era apenas um músico que praticava ciclismo, o máximo que conseguiria era correr até cansar esses desgraçados. Se é que eles cansam.

Enquanto os malditos destruiam a kitinete 06, eu procurava algo que pudesse servir de arma... Achei uma faca de serra, dessas de descascar laranja... Não seria nem um pouco útil diante de um 2 assassinos e um canibal insandecido. Enquanto pensava, não notei que eles estouraram a porta da kitinete número 07, cujo inquilino já fora assassinado alguns dias antes, nas ruas da cidade.
PAM!
PAM!
Eles chegaram! Estão tentando arrombar a porta! A única janela pela qual eu poderia escapar, possui uma grade (E eu que acreditei que esta grade me traria maior segurança!)
PAM!
Sem ter para onde fugir, pego minha guitarra, me escondo no banheiro e espero pelo pior.
BLAM!
Os infectados estão aqui!

6 comentários:

~Lobo

O:

Menndie

Nossa! Acabei de ler o primeiro capítulo.. E caramba! Muito bom! Você conseguiu me deixar super tensa! Muito bom! Parabéns, não pára não que cada vez vou ler mais! Já vou pro capítulo 2 hahahaha! :D

Sammy

caramba! bom mesmo!
vou ler o cap. 2 *--*

Unknown

mt bom msm parabéns.
vamo que vamo agora capitulos dois tres ...........

Anônimo

ta ótimo, bom mesmo!

Vynícius

Caramba cara, perfeito!

Postar um comentário